terça-feira, 23 de maio de 2017

Wraps sem wraps

Ao fim-de-semana tento sempre fazer um porção de carne assada ou cozinhada lentamente e que, pela sua versatilidade, me assegura algumas refeições durante a semana.
Como devem calcular, almoçar e jantar três vezes seguidas o mesmo é muito aborrecido. Mas se pegarmos numa carne assada e desfiamo-la, a imaginação acaba por ser o limite. 
Eu optei por criar um jantar "mexicano" a meio da semana. 
Coloco aspas porque aldrabamos um pouco os sabores, mas na realidade a origem da ideia é essa. Embora sem tortilhas, sem totopopos e com algumas adições subtis que casaram lindamente (vá, o ovo estrelado foi só porque sim...). 
Assim, as sobras de um lombo de peru assado lentamente de sábado para domingo resultou num festim que se fez num instante e que ainda deu o mote do pequeno almoço do dia seguinte. 

  
Wraps de alface com peru e salsa mexicana improvisada 

Ingredientes para a salsa
- 1 tomate
- 1/2 pepino 
- salsa qb 
- 1/4 de cebola roxa 
- azeite, sal e sumo de limão ou lima qb 

Ingredientes para os wraps
- alface qb 
- lombo de peru cozinhado desfiado 
- ovos qb 

Preparação
Comece por fazer a salsa mexicana.
Corte o tomate em cubinhos pequeninos e coloque numa taça. Junte o pepino cortado da mesma forma. Na receita original o pepino não consta mas gostei da adição.
Pique a cebola roxa muito pequenina assim como a salsa e junte ao tomate e ao pepino. Tempere com sal, azeite e sumo de limão ou lima e deixe assentar enquanto monta os wraps. 
Faça os ovos estrelados num pouco de azeite e coloque em cada prato. 
Aqueça a carne, se gostar, e distribua por cima de folhas de alface. Finalize com a salsa mexicana por cima. 

O desafio será comer sem sujar tudo à volta, mas vale muito a pena. Experimente!

sábado, 20 de maio de 2017

Doce de morango e framboesas

Numa ida a Odemira fiz uma paragem obrigatória na Queijaria do Mira. Uma queijaria artesanal, que ainda faz queijos à moda antiga, é algo que não se vê muito. Sempre que passo por aquelas bandas é ponto assente que trago de lá queijos. Em especial o belo do requeijão de cabra que raramente chega para as encomendas e que só há quando as cabras têm leite. Um luxo.

Embora a consumo de laticínios não seja defendido numa alimentação paleo, há quem mantenha o consumo de iogurtes e queijos o que é o caso dos adultos cá de casa. A preferência deve ser dada a queijos mais curados, e normalmente seguimos esta norma, exceção feita a este requeijão delicioso.

Como este passeio por aquelas bandas me levou também a um produtor de framboesas, a cabeça começou logo a funcionar... A ideia original era fazer um cheesecake. Mas o tempo não deu para tudo, a semana de trabalho começou a alta velocidade, e as framboesas e o requeijão, sendo perecíveis, não davam para esperar pelo fim de semana seguinte.

Assim nasceu este "doce", que ligou lindamente com o maravilhoso requeijão e serviram de mote a um pequeno almoço de segunda feira de rei! Como não tem ponto de açúcar só aguenta cerca de 1 semana no frigorífico. Mas tenho a certeza que a validade não será um problema com a rapidez com que se faz e se come. 

 
 
 
 
 
 
Doce de morango e framboesas com chia
[faz um frasco de 250 ml]

Ingredientes:
- 140 gr de morangos
- 60 gr de framboesas
- 60 gr de mel
- 2 colheres de sopa de sementes de chia (15 gr)

Preparação:
Leve ao lume os morangos lavados, sem o pé e cortados em pedaços mais pequenos, as framboesas e o mel. Assim que levantar fervura, reduza o lume e deixe cozinhar até que veja que a fruta começa a ficar mole (5 minutos).

Desligue e adicione as sementes de chia. Deixe repousar uns minutos e desfaça tudo com uma varinha mágica ou num robot de cozinha. 

Coloque num frasco esterilizado e deixe arrefecer. Coloque no frio.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Sopa de beterraba

Uma das minhas tarefas diárias, se assim se pode chamar, é espreitar o que a blogosfera tem de novo. Gosto de saber como param as modas, inspirar-me, tirar ideias, conhecer novas técnicas.

O site http://www.cocooncooks.com é um dos que gosto de espreitar, com fotos lindas, com sabores interessantes e combinações deliciosas. Numa das minhas visitas vi uma sopa de beterraba com maçã reineta que me encheu o olho. Quando li a receita percebi perfeitamente que seria uma receita deliciosa. Mas sou incapaz de seguir uma receita até ao fim e só podia dar o meu toque pessoal.

Como sou muito tradicional, nos que às sopas diz respeito, apostei numa receita com sabores claros, onde consiga perceber o sabor da beterraba e da maçã e do iogurte grego... Deliberadamente optei por não adicionar as especiarias que constam da receita. 

Resultou uma sopa muito simples em que o doce da beterraba brinca com o ácido natural da maçã reineta. Gostamos muito. Até a princesa aprovou. Sem dúvida uma receita a repetir, até porque a beterraba é um daqueles super produtos fantásticos que devemos ter sempre à mão!

  
 

  
 

Sopa de beterraba e maçã reineta

Ingredientes:
- 3 beterrabas (260 gr)
- 2 maçãs reinetas pequenas (140 gr)
- 1 batata doce pequena (50 gr)
- 1 alho francês (50 gr)
- 2 dente de alho
- 1/2 cebola roxa
- 850 gr de água 
- azeite, sal, cebolinho e iogurte grego qb

Preparação:
Descasque todos os ingredientes e corte em pedaços mais pequenos. Cubra com água e tempere com um pouco de sal. 

Deixe cozinhar bem e reduza a puré. Junte um fio de azeite e retifique os temperos. 

Sirva quente com uma boa colherada de iogurte grego e cebolinho picado a gosto.

domingo, 14 de maio de 2017

Molho tomate caseiro e uma pizza

Há coisas que não mudaram assim tanto. Desde sempre preferi fazer em casa, o que quer que fosse, em vez de comprar feito. À minha maneira, com os ingredientes escolhidos por mim, de verdade, sem corantes, nem conservantes. 

Claro que esta mesmíssima maneira de pensar se mantém e agora mais do que nunca. Só assim é possível controlar o que se come, garantindo que não tem adição de açúcares refinados, para além dos açúcares naturais dos ingredientes. 

Quando planeio as refeições da semana tento sempre adiantar ao fim de semana o máximo possível para que as noites não sejam a correr. E se sei, por exemplo, que vou fazer uma bolonhesa durante a semana opto por fazer molho de tomate caseiro que depois posso aplicar noutras receitas ou congelar para poder utilizar noutro momento em que tenha menos tempo. 

E se faço molho de tomate é certo e sabido que domingo é noite de pizzas. Uma convencional para a criatura pequena e duas com base de couve flor para mim e para o Mario. Acho que mesmo que não tivesse abraçado a alimentação paleo, as pizzas cá por casa seriam sempre com base de couve flor. Não sei quem inventou esta base, mas que foi genial, lá isso foi. Somos fãs. E por isso, porque temos vindo a aperfeiçoar a "técnica", deixamos a nossa versão. Dá trabalho? Dá. Mas compensa muito em termos de sabor e saúde. Esta pode comer sem culpa!

 

Molho de tomate caseiro
[fez 350 ml]

Ingredientes:
- 1 cebola pequena (70gr)
- 2 dentes de alho
- 15 gr de azeite
- 450 gr de tomate maduro sem pele e sementes. 
- 1 a 2 cubos de abóbora (40 gr)
- 90 gr de água
- oregãos e sal qb

Preparação:
Pique a cebola e o alho e junte num tacho com o azeite. Deixe refogar ligeiramente. Junte o tomate picado e a abóbora em pedaços pequenos. Junte o sal, os oregãos e a água e deixe cozinhar bem em lume lento. Quando o tomate e a abóbora estiverem tenros, passe com a varinha mágica. Retifique os temperos e está pronto a usar. 

Se não tiver abóbora, utilize cenoura. Se preferir, ou se o tomate for doce, pode não utilizar nem a abóbora, nem a cenoura. Este foi o truque que arranjei para não adicionar açúcar ao molho de tomate que por vezes fica ácido quando o tomate não está muito maduro. Mas ao mesmo tempo, porque uso abóbora/cenoura acabo por enriquecer o molho de tomate. Recomendo. Fica delicioso. 

Se pretender fazer mais quantidade, especialmente quando o tomate está maduro, basta dobrar, triplicar ou quadruplicar a receita. Depois de feito, basta deixar arrefecer, distribuir por caixinhas e congelar. Nada mais prático.

 
 
 


 
 
 

Pizza de bacon e cogumelos
[faz 2 pizzas com 27 cm de diâmetro]

Ingredientes:
- 2 couves-flor médias (270 gr de polpa cozida e escorrida)
- 1 ovo (bases) + 2 ovos pizzas
- 15 gr de parmesão + 25 gr de mozzarella
- bacon a gosto
- cogumelos a gosto
- azeitonas verde a gosto
- queijo mozzarella a gosto
- oregãos a gosto

Preparação:
Amanhe a couve-flor e separe-a em troncos e leve a cozer, preferencialmente, a vapor para que não incorpore demasiado líquido. Não deixe cozer demasiado para não perder textura. Deixe arrefecer e pique num robot de cozinha. Com a ajuda de um pano retire todo o líquido que seja humanamente possível retirar. Deve ficar com 270 gr de couve-flor. Este é o passo que demora um pouco mais de tempo.

Junte 1 ovo, o queijo parmesão e o queijo mozzarella, referenciados acima, sal e oregãos. Ligue, amasse e molde uma bola. Não deve colar nas mãos. Se colar junte um pouco mais da mistura de queijos.

Pré-aqueca o forno a 200º. Dívida a bola de "massa" em duas e estenda na grossura que preferir. No meu caso estendi duas com 27 cm de diâmetro, porque gosto delas mais finas. Leve ao forno por 20 minutos ou até estarem douradas.

Retire do forno, cubra com molho de tomate e distribua os ingredientes da sua preferência. No nosso caso colocamos, por esta ordem, queijo mozzarella, cogumelos, azeitonas, bacon, 1 ovo, mais mozzarella e finalizamos com um pouco de oregãos.

Leve ao forno até a clara estar cozida e o queijo estar derretido. 


O bacon comum, que se vende por aí, tem demasiados aditivos. Convido-o a espreitar... Este que utilizei tem apenas sal e carne e foi feito da maneira tradicional. Recomendo. Se não tiver a hipótese de adquirir bacon sem aditivos, utilize, em alternativa, outros ingredientes do bem.

sábado, 6 de maio de 2017

Sobremesa ou pequeno almoço?

É a segunda receita do género em pouco tempo. Não me consigo decidir se é uma sobremesa ou se é pequeno almoço. Porque, na verdade, eu comi ao pequeno almoço, mas parece-me escandalosamente fácil e deliciosa.

Todos acham complicadíssimo de alguém ter tempo para fazer algo assim durante a semana. Mas na verdade é tão simples... Que basta apenas preparar, ligeiramente, na noite anterior, que foi basicamente o que fiz, e de manhã abri uma embalagem, tostei uns frutos secos e raspei a casca de uma laranja. E faria tudo novamente hoje porque é taooooooo bom que repetia todos os dias. 

Completei esta refeição com um ovo cozido e tive energia para uma manhã inteira de trabalho, fazer uma aula de aeróbica das 12-13h e comer uma salada, praticamente sem fome, a essa hora.

Se experimentarem contem-me, sim?

 

 
Pêras assada com ricota

Ingredientes:
- pêras
- ricota (1 colher de chá por cada cavidade)
- raspa de laranja qb
- pinhões e amêndoa palitada qb
- sumo de limão qb
- mel opcional

Preparação:
Pré-aqueca o forno a 180º.

Lave bem as pêras e abra ao meio. Retire o caroço, mas deixe o pedúnculo, só por uma questão estética.

Disponha as metades numa assadeira com umas gotas de sumo de limão e a cavidade voltada para cima. Leve ao forno por 15/20 minutos conforme goste mais ou menos tenras. 

Numa tigela misture uma colher de chá de queijo ricota por cada cavidade, isto é, se fizer só uma pera, são duas colheres de chá de jeito. Misture ligeiramente e coloque dentro das cavidades. Se for gulosa é nesta parte que pode adicionar um fio de mel. As pêras apuram muito o açúcar natural no forno, à partida não faz falta. Torre pinhões e amêndoas palitadas numa frigideira antiaderente e deite por cima de cada péêra. Finalize com raspa de laranja que liga muito bem com os restantes sabores.



Cá por casa e porque não é comportável fazer tudo demanha, assamos por 10 minutos e desligamos o forno. Deixamos as pêras dentro até de manhã e depois foi só rechear. Estavam no ponto.

Existem inúmeras receitas de pêras assadas espalhadas pela internet. Estas foram inspiradas numa receita que vi em tempos no site NiT e que adaptei aos gostos cá de casa. Façam a vossa versão, atrevam-se, nem que seja ao fim de semana quando há um pouco mais de tempo. Garanto que vai valer a pena.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Zoodles caponata

Na minha "anterior vida" tinha descoberto uma receita de caponata com esparguete que fez as delícias cá de casa. Uma receita inspirada numa beringela perdida no frigorífico e que com muito amor acabou por ajudar a confeccionar um dos pratos vegetarianos preferidos de cá de casa. 

Como não podia deixar de ser, trouxe a receita comigo para a "nova vida". Limitei-me a substituir o esparguete cozido por curgete espiralizada! Mais simples seria impossível. E continua a ser uma receita maravilhosa...

Servidos?

 


Zoodles à Caponata
[serve 2 pessoas]

Ingredientes:
- 1 beringela grande ou 2 pequenas
- 2 curgetes
- azeitonas verdes a gosto
- 4 tomates bem maduros
- 1 cebola pequena
- 2 dentes de alho
- azeite qb
- 1 malagueta seca
- oregãos qb

Preparação:
Descasque a beringela e corte em cubos grandes. Coloque num escorredor e salpique com sal grosso. Reserve.

Espiralize as curgetes e distribua por dois pratos.

Pique os dentes de alho e a cebola e coloque a alourar numa frigideira com um fio de azeite e a malagueta. Junte os cubos de beringela limpos de sal e salteie bem até alourar bem. Junte o tomate picadinho (sem sementes) e deixe cozinhar até que fique bem macio. Adicione as azeitonas sem caroço e retifique de sal se necessário. Tempere com um pouco de oregãos secos.

Distribua por cima dos zoodles e delicie-se.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Peixe no forno à portuguesa (mais ou menos)

Quando comecei a pensar e cozinhar paleo tentei simplificar ao máximo. As estratégias dependem muito de pessoa para pessoa, mas cá em casa fizemos mesmo uma cisão com a forma de comer antiga. Isto é, se comíamos pão com manteiga todos os dias, não substituímos por algo "identico". Invariavelmente cairíamos em comparações. Tal como nas sagas dos filmes, raramente o segundo é melhor do que o primeiro, as comparações acabam sempre por deixar uma sensação de frustração que não queríamos sentir. Se tínhamos tomado a decisão de comer diferente, tínhamos de comer de forma diferente. Não parecida. E por isso comemos ovos todos os dias de manhã, ou sopa, ou algo que normalmente antes comeríamos ao almoço ou ao jantar. 

Depois de "limparmos" da despensa e do frigorífico todos os alimentos da nossa vida antiga e de nos abastecermos de comida a sério, fiquei a pensar em como começava... Até porque se o marido foi fácil de mover, a criança de 7 anos não abdica do pão, ou da massa ou do arroz... E muito menos do açúcar. Desafio complicado mas o objetivo será trazê-la para este lado devagarinho, pelo exemplo. Mas enquanto não acontece, temos de garantir uma certa normalidade nas refeições dela.

A solução acabou por nascer naturalmente desta combinação de necessidades. Peguei nos pratos de sempre e adaptei-os! Basicamente seria mudar o acompanhamento. Se fazia bife com arroz, passei a fazer bife com salada ou legumes para nós e ter sempre feito algum arroz para ela. Se fazia um bacalhau à lagareiro com batata a murro, passei a fazer bacalhau à lagareiro mas com batata doce. E aos poucos a mudança aconteceu (e acontece). Quase sem darmos conta. 

E de repente a princesa diz "mãe hoje não quero arroz quero salada como vocês" e o meu coração enche-se de orgulho... E quando percebemos que é só descomplicar, tudo se torna mais simples e natural...

 

 

 

 

 

Peixe no forno
[serve 3 pessoas]

Ingredientes:
- 1 peixe para assar (usamos Bica)
- 2 batatas doces
- 2 cenouras
- 1 curgete
- 1 cebola
- 3 dentes de alho
- 1 tomate maduro
- vinho branco (opcional)
- azeite, sal, salsa qb

Preparação:
Pré-aqueça o forno a 200º. 
Num tabuleiro coloque um fio de azeite e coloque o peixe limpo de escamas e entranhas. Na barriga coloque um ramo generoso de salsa.
Corte a batata doce, a cenoura e a curgete em cubos e disponha em torno do peixe. 
Corte a cebola em luas e os dentes de alho picadinhos e distribua por cima do peixe e legumes.
Tempere com sal, regue com azeite e adicione um tomate maduro, limpo de pele e sementes picadinho. De gostar junte um borrifo de vinho branco de boa qualidade.
Leve ao forno até que o peixe esteja cozinhado assim como os legumes. Não deixe secar demasiado.
Acompanhe com uma salada mista.